A Funcionalidade do Helicóptero em cheque – “Caos” no Espaço Aéreo


É inadmissível para nós, pilotos e usuários do helicóptero, ver este importante e usual meio de transporte ser associado à insegurança do espaço aéreo nacional. Tão quanto ver a segurança e funcionalidade do helicóptero como prestador de serviço ser comparado a balões e urubus, que comprometem a segurança de voo dos aviões em tráfego pelo Aeroporto Campo de Marte e adjacências.
 
Não poderíamos deixar de nos manifestar ao assistir tamanha desinformação e falta de coerência sendo noticiadas em horário nobre da programação dominical da maior emissora aberta do País. E, pior, ver o mesmo equívoco sendo cometido novamente durante a programação matinal desta mesma emissora.
 
O que assistimos depõe contra um setor que cresce consideravelmente nos últimos anos, que é pautado pelas doutrinas de segurança e que é considerado um dos meios de transportes mais seguros do mundo, graças à tecnologia e responsabilidade empregadas na operação.
 
Cabe aqui esclarecer aos responsáveis pela matéria e à própria fonte identificada na reportagem como “consultor aeronáutico”, que o espaço aéreo da terminal São Paulo é dividido por altitudes em fatias, ou seja, helicópteros voam mais baixo até 3600 pés, logo após os aviões visuais entre 3600 e 5000 pés e após isso as aeronaves em operações de voo por instrumentos, normalmente as da aviação comercial.
 
É importante destacar que, muitas vezes, o que acontece é que os aviões de pequeno porte voando em condições visuais quando a meteorologia está próxima aos limites mínimos de voo de teto e visibilidade tendem a baixar perigosamente para uma altitude próxima à dos helicópteros. É aí que se encontra um perigo iminente causado pelos pilotos desses aviões aos helicópteros.
 
É mentirosa a afirmação de que há conflito entre aeronaves de grande porte da aviação comercial e as de pequeno porte como os helicópteros e aviões menores. Nesse sentido, podemos citar a Área Controlada próxima ao Aeroporto de Congonhas para controlar e separar os helicópteros que lá operam dos aviões que estão operando em Congonhas. Desde a criação em 2004, a quantidade de alertas de colisão gerados pelo “TCAS” (citado na matéria) praticamente cessaram.
 
Outro dado equivocado trazido pela reportagem é o de que “até 80 aeronaves simultaneamente voam num mesmo espaço”. De acordo com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo – DECEA, em horários de pico o número é de 80 aeronaves por hora.
 
Apoiamos e contribuímos com a imprensa no que se refere à disseminação de informações sobre a aviação geral e especialmente por helicópteros, bem como em informar sobre as diferenças existentes entre a aviação por asa fixa e asa rotativa, mas não podemos admitir que informações equivocadas e sem embasamento de uma fonte técnica sobre o setor coloque em cheque a segurança e a responsabilidade envolvidas na aviação por helicóptero.
 
Estamos atentos e em defesa do nosso setor, com vistas ao respeito com os nossos pilotos.
 
Diretoria da Abraphe

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